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Professora universitária de Lima é uma das vencedoras do concurso de redação

Apaixonada pela literatura e pela música brasileira, a peruana Mercedes Tinoco Obregón é professora universitária com mestrado e doutorado em Administração. Atualmente, além de dar aulas na Universidade Nacional de Tecnologia de Lima Sur (UNTELS), Mercedes estuda português no Centro Cultural Brasil-Peru (CCBP). "Sinto-me feliz de estudar português no CCBP porque sempre temos palestras, filmes, músicas e exposições de pintura", destaca a aluna, autora de uma das três redações vencedoras do II Concurso de Redação da Rede Brasil Cultural "A Bahia de Dorival Caymmi".

Mercedes recorda que sua primeira relação com português foi na faculdade, quando venceu um concurso de poesia. Recebeu de prêmio uma coleção de livros de escritores brasileiros. "Gostei muito, mas a pronúncia era difícil pra mim", disse ela, enfatizando que gosta muito de Jorge Amado, ,Monteiro Lobato, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e dos poetas Vinícius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade. Dos contemporâneos aprecia Paulo Coelho e Ana Maria Machado. Confira a seguir a redação elaborada por Mercedes.

 

 

A Bahia De Dorival Caymmi

Nessa manhã de 2 de julho foi diferente. A música de Dorival Caymmi veio com o brilho da aurora.  Minha avó, Estela, de 70 anos, começou a mexer a sua mão direita, e, depois, a cantarolar baixinho. Tirou o chapéu que tinha na cabeça, e depois se levantou começando a dançar com passos curtos. Ela estava tão entusiasmada que até tirou meu avô para dançar, um homem de 78 anos! Na casa todos ficamos felizes: pais, filhos e netos, aplaudíamos e nos perguntávamos junto a Dorival Caymmi: “O que é que a baiana tem?” Eu acho que além de toda sua graça, também tinha uma grande coragem. Enquanto isso, meu avô sussurrava ao pé do ouvido dela: “Minha sereia é rainha do mar”.

Atrás ficaram os comprimidos, as injeções, as terapias e tudo o relacionado àquela doença terminal que tinha deixado minha avó prostrada em uma cadeira de rodas. Não há dúvida de que foi um milagre ver meus avôs dançando e cantando felizes. Foi como retroceder no tempo. A música pictórica de Caymmi nos presenteava com um quadro maravilhoso e eterno; com ela, a minha avó imaginava seu primeiro encontro com meu avô como namorados, sua viagem de lua de mel para Bahia; ambos jovens, caminhando pelas praias de Salvador, admirando a beleza da paisagem, o trabalho dos pescadores, as cores, os aromas e a delicia dos sabores como o vatapá e o caruru. Certamente, todo um legado da Bahia, a alma e o coração de Dorival Caymmi. “Nas sacadas dos sobrados/ Da velha São Salvador/ Há lembranças de donzelas/ Do tempo do Imperador.” Aquela imagem ficará gravada eternamente no meu coração.

Após três dias, aquele brilho da aurora tornou-se escuro.  Minha avó morreu...  O câncer levou-a de nós. Foi doloroso tirar o álbum “Canções Praieiras” que ela abraçava ternamente em seu peito.  Agora, entendo sua paixão pela música, como se quisesse abraçar a voz do mundo, tudo o que foi a voz do seu ídolo, Dorival Caymmi. Os restos mortais de minha avó foram espalhados no mar, segundo a sua vontade porque “É doce morrer no mar/nas ondas verdes do mar”.

Passam-se anos desde a morte da minha avó e ainda permanecem em nós a poesia, o canto, a paisagem que Dorival Caymmi mostrou-nos para nos levar a um mundo não de dor trágica, mas à saudade feliz porque “O mar quando quebra na Praia/ É bonito, é bonito”.

 

 

O segundo Concurso de Redação da Rede Brasil Cultural já tem seus vencedores 

 


Mercedes Tinoco Obregón também foi vencedora no Concurso de Redação da RBC

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