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"Senti que Dorival me acompanhava", diz Vencedora do concurso de Redação na Argentina

Uruguaia, residente em Buenos Aires, na Argentina, Cristina Elizabet Moriondo Torres, 62 anos de idade, é uma das três vencedoras do II Concurso de Redação da Rede Brasil Cultural "A Bahia de Dorival Caymmi". Cristina procurou as aulas de português como uma "terapia" para problemas pessoais e acabou se apaixonando pela língua.

Quando soube, no Centro Cultural Brasil-Argentina, do concurso de redação, ficou profundamente inspirada, pois já conhecia a obra de Dorival Caymmi. "Um dia antes do concurso, caminhando em direção à tabacaria que temos no Bairro de San Telmo, surgiu a inspiração, senti que Dorival me acompanhava", explicou Cristina. Leia a seguir a redação premiada, intitulada "Confissões íntimas".

 

 

Confissões íntimas

Sou uruguaia, moro na Argentina e amo o Brasil, sua língua e sua cultura.

 Confesso estar feliz perante a possibilidade de participar do Concurso de Redação: A Bahia de Dorival Caymmi.

 Fecho os olhos pensando na matéria. Deixo-me levar nas asas da imaginação e começo a escutar uma voz cantando: “Você já foi à Bahia nega? Não? Então vá!”

 Como em um passe de mágica aparece Salvador. Vejo praias e coqueiros, redes e pescadores, vendeiras e tabuleiros, santos e orixás, capoeira e samba de roda.

 Junto de mim, um moço bonito, de olhar carinhoso, de sorriso fácil com um violão na mão me diz:

‒ “Tudo, tudo na Bahia faz a gente querer bem. A Bahia tem um jeito que nenhuma terra tem.”

Fico pasma, sem poder reagir. Ele fala:

‒ “Você está sentindo o cheiro do acarajé? Todo mundo gosta de acarajé, todo mundo gosta de abará. Ninguém sabe o trabalho que dá!”

Comovida, sem que ele perceba minha emoção, ouço as palavras dele:

‒ “Olhe aí esse pescador. A jangada dele vai pro mar. Se Deus quiser, quando voltar um peixe bom ele vai trazer”.

É ele mesmo que está comigo, o grande Dorival Caymmi, que agora estende o braço e me convida a percorrer a cidade.

Bom de papo e amigo de todos cumprimenta negras baianas que vestem torso de seda, brinco de ouro, pano da costa, bata rendada, saia engomada, sandália enfeitada. Descreve o terreiro de Mãe Menininha de Gantois, fala dos orixás, mostra detalhes de algumas das trezentas e sessenta e cinco igrejas da Bahia. Conta tudo a todos.

Finalmente, à beira da lagoa do Abaeté, encorajada, eu lhe pergunto:

‒ Seu Dorival, o senhor como se define, cantor, músico, violeiro, pintor, escritor...?

‒ “Poeta. Eu sou um poeta porque existe uma Bahia viva dentro de mim.”

Abro os olhos e vejo o Dorival indo embora, cantando: “Ah, que saudades tenho da Bahia. Ah, se eu soubesse...”

Milagres existem! Minha redação está terminada! Inté!

 

O segundo Concurso de Redação da Rede Brasil Cultural já tem seus vencedores

Cristina Elizabet Moriondo Torres foi uma das vencedoras do
2º Concurso de Redação em Homenagem a Caymmi

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