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Semana cultural traz arte, música e festa para a República Dominicana

Escrito por Matheus Félix | Criado: Sexta, 06 Dezembro 2019 19:05
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Em comemoração à data nacional do Brasil e também aos 10 anos da existência do Centro Cultural Brasil-República Dominicana – CCBRD, foi celebrada em São Domingos, a semana da Cultura Brasileira, de 16 a 21 de setembro. As festividades aconteceram nas instalações do centro, com o apoio da rede brasil cultural e da embaixada do Brasil no país.

Foram cinco noites com exposições e apresentações musicais oferecidas por artistas convidados e professores do centro. Os alunos do centro também expuseram seus trabalhos originais, inspirados pela cultura brasileira. A semana terminou muito movimentada com feira gastronômica e roda de samba de tarde e a peça “El Visitante” na noite de sábado, dia 21.

Membros da comunidade brasileira e representantes de entidades educacionais e culturais dominicanas compareceram às festividades, que tiveram por objetivo estreitar os laços de amizade entre os dois países e também difundir a cultura nacional na região.

A noite de abertura inaugurou, no dia 16, as mostras “Abaporu”, “Lendas do Brasil”, “Medalhistas Olímpicos Brasileiros” e “Estação Central do Brasil”, feitas pelos alunos do centro e também a exposição “Alegria Brasileira” com curadoria de Buana Lima. A noite foi prestigiada com a presença de mais de 150 visitantes, incluindo o embaixador brasileiro e jornalistas da imprensa dominicana.

 

Exposição "Medalhistas Olímpicos Brasileiros" / Divulgação 

 

A exposição “Alegria Brasileira”, está em sua quarta aparição em centros culturais e já havia passado pelos CCBs da Argentina, Chile e Paraguay. Nesta edição, em São Domingos, artistas de todas as idades expuseram 80 trabalhos que integram o “projeto mundo” organizado pela artista Buana Lima, responsável pelo portal de artes “Universo Art Kids”.

Para participar das exposições “Todos os artistas precisam pesquisar e conhecer sobre nossa cultura para poder executar as suas obras”, afirmou a curadora. Em maio do ano que vem, a exposição passará também por Cuba e em setembro, pelo CCB em Barcelona. “[É essencial] manter os centros culturais, não somente para levarmos as mostras, mas para que as pessoas daquele país sejam inseridas em nossa cultura” conclui.

 

"Alegria brasileira" combinou obras de crianças, jovens e adultos / Divulgação

 

As obras da exposição celebram a cultura nacional / Divulgação

 

A curadora Buana Lima (ao Centro) e pintores dominicanos e brasileiros posam com certificados de participação na exposição / Divulgação

 

A semana contou com as palestras do embaixador brasileiro em R.D, Clemente Soares, no dia 17, e do renomado musicista de merengue dominicano, Ramón Orlando Valoy, no dia 19. O embaixador falou, para sala cheia, sobre os elementos comuns entre as culturas brasileira e dominicana e seu papel no estreitamento dos laços que unem os dois povos, sejam culturais, diplomáticos ou musicais.  Ramón Orlando compartilhou com o público sua experiência ao visitar a capital brasileira, na qual apresentou número “Merengue Sinfônico” ao lado da Orquestra do Teatro Nacional Cláudio Santoro - OSTNCS. Valoy tratou das semelhanças e concepções musicais entre os ritmos musicais brasileiro e caribenho. O merengue continuou tendo espaço na noite do dia 19, ao apresentar músicas fusionadas entre o ritmo dominicano, músicas brasileiras e haitianas, interpretadas pelo grupo Motif.

 

Ramón Orlando fala ao público / Divulgação

 

Sexta-feira, dia 20, foi noite de sarau. Mais de 100 pessoas assistiram a canções brasileiras e dominicanas apresentadas por diversos artistas e estudantes do Centro. Números de MPB, bossa nova, merengue e bachata foram interpretados por pelos artistas Forever, Jennet Tineo, Ivete Rodriguez, Lucitania Cruz entre outros, incluindo o grupo Motif, que encerrou a noite. Gregório Rivas, diretor do centro desde 2011, esteve durante a apresentação e avalia que “o melhor da noite foi ver o grande entusiasmo dos presentes, que se concretizou nas danças espontâneas e no acompanhamento aos diversos cantores que participaram na grande noite artística”.

 

A Bailarina Lizelot Rodríguez dançou samba na noite de Sarau / Divulgação

 

No sábado, dia 21, centenas de visitantes participaram de feira gastronômica e artesanal que aconteceu ao ar livre, nas instalações do centro. O cardápio do dia foi composto por uma feijoada completa, empada, pastel, coxinha, bolinha de queijo e torta de alho-poró. Para adoçar, bolo caseiro, brigadeiro tradicional, brigadeiro de palha italiana, beijinho simples e recheado, quindim, cajuzinho, bombom e a famosa paçoquinha. Para beber, foram oferecidos cerveja, guaraná e a tradicional caipirinha. A empresa Brazaí, especialista em produtos à base de açaí, ofereceu várias versões da fruta, como vitaminas e açaí com granola.

Rivas avalia que a comida brasileira é um ótimo chamariz, mas para se fazer um evento bem sucedido é preciso prender o público com outras atrações. “Em geral, o público dominicano adora a gastronomia brasileira. As diversas comidas atraíram o público, mas a música, a capoeira e o colorido das exposições dos artesãos e o teatro no final, terminou sendo uma excelente combinação”

Enquanto acontecia a feira, o grupo Motif formou uma roda de samba que durou por mais de duas horas, integrando-se alunos, músicos dominicanos e demais visitantes. O grupo Alemar Capoeira, grande parceiro do CCBRD, acompanhou a roda do Motif com jogo de capoeira, liderada pelo mestre Kazam “fazendo uma grande apresentação de capoeira que cativou o público, que se juntou ao grupo”, segundo Rivas, que avalia também que “Foi uma excelente apresentação para terminar as atividades diurnas de Semana da Cultura Brasileira”.

 

 O público se divertiu durante a roda / Divulgação

 

E também cantou / Divulgação

 

Jogo de capoeira / Divulgação 

 

De noite, a companhia de teatro do CCBRD "Tinta no Palco” apresentou a peça "El Visitante" da escritora brasileira Hilda Hilst. Foi um projeto assumido pelo grupo em 2017, precisamente para fechar a Semana da Cultura Brasileira desse ano. Rivas cita a autora, ao dizer que a peça é “delicada e apaixonante” e justifica “por isso, procuramos que a montagem fosse num formato íntimo”.  Para tanto, eles usaram a recepção do centro cultural como palco e aproveitaram “a arquitetura da casa que é antiga para ambientar a história”. “As portas das diferentes salas eram as portas dos quartos e da cozinha, e o público que chegava no espaço ficava envolvido porque se sentia como um visitante mesmo”, comenta.

 

 

Peça "El Visitante" / Divulgação

 

Destaque da semana

 

Originário do Centro Cultural do Brasil-Haiti – CCBH, o grupo Motif surgiu das aulas dadas pelo diretor do centro, Werner Garbers, aos seus alunos. O Motif é formado pelo brasileiro Werner na percussão, que atende também pela alcunha “Neno” e os músicos e multi-instrumentalistas haitianos Mattieu (Mael), nos sopros e Pierre-Ely (Ely), nas cordas.

O grupo apresentou a palestra musicada “João Gilberto: Raízes e Herança de sua Bossa”, na quarta-feira da semana cultural. A apresentação permitiu que o músico entendesse o significado, o valor que representa João Gilberto na música brasileira, em especial a bossa nova, ressaltando sua importância para o Brasil e o mundo.

Durante a semana, o Motif apresentou músicas do cancioneiro dominicano cantadas em português e músicas brasileiras em espanhol.  Para Gregório, a presença do grupo Motif na Semana da Cultura Brasiliera foi muito significativa. “Primeiro porque participaram em cinco dos seis dias da atividade e segundo porque conseguiram conectar bem com o público com as diversas músicas que apresentaram” apontou o diretor do centro, que também acredita que o Motif “consolidou a parceria entre os CCBs Haiti e República Dominicana, iniciada em 2017”

Além da semana, o grupo também se apresentou em diversas outras ocasiões, pela República Dominicana em eventos organizados pelos centros culturais da ilha e também pela embaixada na República Dominicana. “O público se identificou muito com a proposta do grupo, o que se confirmou, porque posteriormente o grupo realizou apresentações em outros lugares da cidade e realizaram por segunda vez a palestra musicalizada em homenagem a João Gilberto também” aponta, o diretor.

 

Confira, abaixo, a entrevista com o Grupo Motif

 

RBC – O grupo Motif apresentou diversas vezes durante a semana cultural na República Domicana, como foi a experiência de ser a atração da noite durante tantos dias consecutivos?

MAEL – Eu posso dizer que foi uma linda experiência para nós, não apenas pelo tempo que passamos em Santo Domingo, mas sobretudo pelo contato com o público de forma geral, o qual deixou uma imagem em meus olhos que jamais vou esquecer. Ter o grupo Motif como convidado especial e com tantas apresentações foi uma grande responsabilidade e um grande prazer, um exercício de superação, sempre na tentativa de oferecer nova motivação para que o público viesse nos ver a cada dia.

NENO – Essa proposta foi muito interessante para o tipo de trabalho que o grupo Motif faz, de pesquisa musical e fusão, sem fronteiras, nem de gêneros nem de nacionalidade, um trabalho de aproximação cultural e troca profunda. Dessa forma, graças a um convite tão especial, onde pudemos tocar tanto, buscamos nos superar em termos de variedade, apresentando diversos repertórios: um apenas sobre João Gilberto, homenageado, inclusive com uma palestra musicalizada sobre ele; diversos tipos de samba, de capoeira, de bossa nova, de chorinho, de MPB em geral, de clássicos do folklore haitiano (em crioulo e português, traduzido por nós), de clássicos latinos, e até músicas dominicanas, como alguns merengues, e também a inesquecível música dominicana muito conhecida no Brasil: ‘’Borbulhas de amor’’, de Juan Luis Guerra, que muitos brasileiros pensam ser brasileira.

RBC – Durante as apresentações, qual foi ou quais foram os ritmos musicais melhor recebidos pelo público? O pessoal dançou, cantou?

ELY – Eu percebi que em quase todas as apresentações o público estava muito interessado e atento aos ritmos brasileiros, ele participou muito mesmo, cantando e dançando. Em diversos momentos tivemos a participação de pessoas que vieram improvisar conosco, músicos locais profissionais e amadores, interagimos muito! O público ficou bem contente também quando tocamos a música brasileira ‘’Garota de Ipanema’’, porém em um ritmo muito conhecido no Haiti, chamado Yanvalou, assim como outras fusões que fazemos.

MATHIEU – O público foi extremamente encorajador, ficamos realmente muito felizes com a reação dele, que, muito acolhedor, participou o tempo todo conosco, mas quando tocamos músicas que eles estão acostumados a ouvir, como ‘’Chega de Saudade’’ e ‘’Mas que Nada’’, eles cantaram as letras inteirinhas conosco. Foi uma coisa linda! O sorriso ficou estampado em nosso rosto graças a ele.

RBC – Vocês estiveram também no Sábado da feijoada. O que pode dizer sobre a feira gastronômica e a feira de artesanato?

NENO – Sim, confesso que foi a hora que mais matei a saudade do Brasil (risos). Foi bem legal ver todos nossos irmãos de outras nacionalidades experimentando pratos brasileiros e fazendo um enorme samba de roda conosco! No Haiti temos um provérbio que diz: ‘’Depois da dança, o tambor fica pesado’’. Tudo foi tão bom que o difícil depois foi voltar pra casa (Risos).

MATHIEU – Na feira gastronômica nós descobrimos muitos pratos brasileiros deliciosos e da feira de artesanato pudemos levar algumas lembranças para nossas famílias. Além disso, ainda tivemos um clima muito gostoso com a roda de capoeira!

RBC – Vocês se apresentaram em diversos outros lugares de RD como parte de uma Turnê. Gostaria de falar um pouco sobre?

MATHIEU – Creio que com essa experiência pudemos descobrir, de forma mais geral, o que o público dominicano gosta. Também fora do Centro ele mostrou muito caloroso! Graças a essa experiência estamos trabalhando agora para fazer uma mistura entre samba e bachata (ritmo tipicamente dominicano), para mostrarmos para eles, em uma próxima ocasião, o quanto eles nos marcaram!

NENO – Essa foi uma parte muito especial, tocamos em diversos espaços, desde a antológica Casa de Teatro, com mais de 50 anos, onde grandes artistas já passaram, até La Espiral, uma casa noturna muito reconhecida atualmente, além de bares, onde o clima foi muito brasileiro… e por fim, encerramos nossa turnê tocando em praças públicas, aliás, aquelas lindas praças dominicanas, históricas, com mais de 500 anos! Vimos o quanto as músicas brasileira e haitiana são bem-quistas por aí e o quanto esse tipo de projeto intercultural inovador pode servir de inspiração para outros semelhantes, em outros postos do Brasil pelo mundo. Esperamos contribuir para que projetos assim se multipliquem.

 

Mattieu (Mael) / Divulgação

 

 

Pierre-Ely (Ely) / Divulgação

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