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Leitora Brasileira em São Tomé e Princípe conversa sobre sua experiência no país

Written by Matheus Félix | Created: Wednesday, 06 November 2019 17:34
Janaína e a Diretora do centro cultural, Leila Quaresma, durante a aplicação do Exame CELPE-Bras
imagem sem descrição.

Sobre os Leitorados

O Programa Leitorado financia professores interessados em divulgar a cultura brasileira em instituições universitárias estrangeiras. A iniciativa é regulamentada pelo Itamaraty desde 1999, em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES.

Os leitores são professores universitários que atuam em instituições estrangeiras de ensino superior, nas quais promovem a língua e a cultura brasileiras. Os professores selecionados recebem bolsa do Itamaraty, além de contrapartidas fornecidas pelas instituições de ensino a que se vinculam. Os benefícios oferecidos pelas universidades variam de acordo com as particularidades de cada país. Atualmente, há 28 leitorados brasileiros em atividade.

 

 A leitora, Janaína Vianna, junto com seus alunos, durante o curso de prática pedagógica

 

Leitorado em perspectiva

Na matéria de hoje, conversaremos com a Professora Janaína da Conceição, Leitora brasileira na Universidade de São Tomé e Princípe – USTP, que nos escreveu.

Relato completo da Leitora

Cheguei a São Tomé e Príncipe no dia primeiro de outubro, e tem sido uma experiência incrível. Sempre tive vontade de me inscrever para o Programa Leitorados, especialmente, por ter acompanhado o trabalho qualificado dos meus colegas do Programa de Português para Estrangeiros da UFRGS que  foram selecionados, em outras edições, para serem leitores em diferentes países. Finalmente, após eu ter terminado o mestrado, esse sonho foi possível de ser concretizado. O Programa Leitorados é ótimo para os profissionais da área de Letras que atuam, principalmente, no ensino de português como língua estrangeira/adicional e que desejam difundir o português, a literatura brasileira e a nossa cultura em outros cantos do mundo. Penso que a experiência que ganhamos é extremamente enriquecedora, pois a troca entre culturas e o aprendizado ganho perpassam a vida acadêmica e profissional.

No meu primeiro mês, já participei de eventos na universidade para integração de professores e alunos a partir de oficinas e conversas em diferentes línguas, apliquei o exame Celpe-Bras e venho ministrando aulas no curso de Letras. Como leitora da universidade de São Tomé e Príncipe, ministro as disciplinas de Literatura BrasileiraIntrodução aos Conceitos Linguísticos e Prática Pedagógica, contribuindo, principalmente, para a formação de professores de língua portuguesa em São Tomé e para a difusão do português brasileiro e da literatura de nosso país. Além disso, já comecei também a orientar trabalhos de conclusão de curso voltados para o ensino de língua portuguesa. Os trabalhos de meus orientados têm como foco o ensino da oralidade, da gramática contextualizada e da produção de textos escritos em aulas de língua portuguesa em São Tomé. Por isso posso dizer que o primeiro mês foi intenso, com muitas descobertas e trocas com os estudantes e com as pessoas do país.

No mês de novembro, além das atividades desenvolvidas na universidade, em parceria com o Centro Cultural Brasileiro, organizamos o evento “Café com Letras”, destinado não somente para alunos universitários, como também para a comunidade em geral. Esse evento promove a literatura brasileira e tem como objetivo incentivar a leitura e a formação de leitores, aliando encontros para se conversar sobre obras literárias conjuntamente com a degustação de pratos da culinária brasileira.  O “Café com Letras”, então, é um ótimo momento para estreitar laços interculturais entre Brasil e São Tomé, uma vez que se torna um espaço de compartilhar comidas típicas e trocar ideias sobre aspectos culturais brasileiros e são-tomenses a partir da discussão de textos literários. A escritora homenageada do mês de novembro foi Carolina Maria de Jesus, e o livro apresentado por mim foi o “Quarto de Despejo – Diário de uma favelada”. O evento foi muito exitoso, com o maior público em vinte e oito edições – mérito da parceria desenvolvida entre Centro Cultural Brasileiro e leitorado. Acredito que essa atuação conjunta - nesse e em outros eventos - se torna extremamente importante, pois conseguimos atrair diferentes públicos para dialogar sobre aspectos relevantes socialmente e divulgar a(s) cultura(s) rica(s) e diversa(s) do nosso país.

Outra parceria realizada entre o leitorado e o Centro Cultural Brasileiro é a aplicação do exame Celpe-Bras. O Celpe-Bras é o único exame oficial brasileiro de proficiência em português como língua estrangeira. Ele tem como foco o uso da língua atrelada ao desempenho de ações no mundo, e sua avaliação integra compreensão, produção oral e escrita. Neste segundo semestre de 2019, o exame foi realizado nos dias 16 e 17 de outubro.  Ao todo, foram homologadas oito inscrições, sendo seis o número de participantes presentes nos dias de prova.  Por isso, embora tenha sido muito bom ter participado como aplicadora do Celpe-Bras no posto de São Tomé, fiquei com um gostinho de quero mais. Espero que, em futuras edições, consigamos atrair mais participantes interessados em estudar em universidades brasileiras e/ou em conhecer mais sobre o português brasileiro e o nosso país.

 

USTP / Divulgação

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